Setembro, 2017

A primeira Revolução Industrial representou um passo gigantesco na evolução da humanidade. Modificou a face do mundo e gerou condições para a criação de riqueza, que durante centenas de anos se pautaram por níveis de desenvolvimento relativamente harmoniosos - nem sempre isentos de problemas nem de conflitos - mas que se caracterizaram por uma sistemática evolução das tecnologias, a melhoria constante dos fatores de produtividade, em todos os setores e a criação de postos de trabalho cada vez mais bem remunerados.

Subitamente, nos anos 50, o relativamente tranquilo statu quo começa a alterar-se. A espiral da computorização, ao alargar-se a todos os aspetos da atividade humana, obriga a pôr em causa os paradigmas tradicionais do emprego e do mundo do trabalho. A crescente capacidade das máquinas para replicar aspetos do pensamento humano, ameaça alterar a maioria dos indicadores do desenvolvimento humano e o espetro do desemprego massivo de pessoas, incapazes de se adaptarem às exigências da gig economy, torna-se um pesadelo.

Os avanços da sociedade digital estão a levar a que atividades, consideradas como impossíveis de programar e reservadas exclusivamente ao ser humano, estejam, já hoje, a ser executadas pelos computadores. Conduzir um automóvel era, por exemplo, considerado uma competência exclusivamente humana até os automóveis da Google ou da Tesla se terem tornado realidades prontas para circular nas nossas estradas.

Descrita como o sistema onde as pessoas compram e vendem serviços e tarefas através de plataformas online, os especialistas advertem que nenhum setor de atividade ficará imune à influência da gig economy e prevêem para 2020, volumes bilionários de negócio na economia global. O Chartered Institute of Personnel Development (CIPD) do Reino Unido caracterizou a gig economy como uma "economia de trabalho maioritariamente flexível" que vai exigir uma reconversão profunda dos sistemas de educação e de um mercado de trabalho no qual os profissionais mais talentosos selecionarão as empresas e as condições em que querem trabalhar.

A curto/médio prazo, tecnologias emergentes como os serviços da cloud, internet das coisas, a robótica, a inteligência artificial ou as gigantescas bases de dados vão aumentar, certamente, a eficiência das tarefas em todos os setores de atividade mas vão também eliminar um número inimaginável dos atuais postos de trabalho.

Amândio da Fonseca
Fundador e CEO da EGOR

*in Jornal Expresso, 16 de setembro de 2017

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