O OXIGÉNIO DAS DEMOCRACIAS

Junho, 2018

Nas sociedades democráticas a confiança dos cidadãos assenta, essencialmente, numa crença apoiada em quatro grandes pilares: organizações empresariais, meios de comunicação, políticos e governantes e as organizações sociais.

Do mundo empresarial espera-se que garanta os interesses dos “stakeholders”, promova o desenvolvimento económico, crie postos de trabalho e dinamize o desenvolvimento dos colaboradores.

Sobre os meios de comunicação, recai a responsabilidade de assegurar a veracidade da informação, promover a cultura, a educação cívica e o entretenimento dos consumidores.

Aos governantes, cabe assumir as responsabilidades de impulsionar o crescimento económico, prevenir e punir a corrupção e proteger as classes mais desfavorecidas.

As organizações sociais partilham com os governos a responsabilidade de proteger os mais desfavorecidos, denunciar os abusos dos poderosos e contribuir para o reforço da coesão coletiva.

Embora a confiança tenha sempre representado um valor instável nas relações humanas, as consequências da globalização da informação, o aumento das injustiças sociais, a corrupção de políticos e gestores e a instrumentalização das redes sociais, estão a contribuir para níveis tóxicos de desconfiança nas instituições, nos governos, nos meios de comunicação e nas empresas.

As manifestações populares de absentismo político constituem campo fértil para o desenvolvimento de novos populismos e extremismos xenófobos. O público em geral e mesmo as pessoas culturalmente informadas tem dificuldade em distinguir as “fake news”, não sabem quais os políticos em que podem confiar, suspeitam das marcas, produtos, empresas e das elites que as governam.

O Edelman Trust Barometer, que há mais de dez anos monitoriza a confiança em 25 países, concluiu na edição de 2018, que 60% dos inquiridos consideram que a generalidade dos políticos e gestores se move mais pela ganância pessoal, do que pelo propósito de deixar no mundo uma imagem positiva. Para os meios de comunicação, os resultados também não são lisonjeiros. Cerca de 66% dos inquiridos considera que os “media” estão hoje mais preocupados em conseguir audiências, do que serem objetivos. Outros 65% consideram que o rigor da informação é sacrificado à pressa de serem os primeiros a noticiá-la e 59% preocupam-se mais em defender ideologias, do que a informar.

Voltar a “respirar confiança” tornou-se o principal desafio das novas gerações.

Amândio da Fonseca
Fundador e CEO da EGOR

*in Jornal Expresso, Junho de 2018

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