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22 de abril de 2019

As organizações e as pessoas são hoje – mais do que nunca - forçados a fazer frente a ameaças e situações disruptivas que potenciam não só conflitos intra-pessoais como a ansiedade, a depressão e a angústia do futuro mas sobretudo conflitos nas relações sociais. Queiramos ou não, o conflito faz parte da natureza humana e sendo inato tem sempre na origem o confronto de duas dimensões antagónicas da nossa personalidade: a necessidade vital de pertencermos e ser aceites em grupos e a motivação das pessoas para se afirmarem dentro desses grupos. 

Freud defendeu que em cada ser humano coexistem as duas dimensões do conflito: a necessidade vital de pertencer ao grupo e a necessidade anti-social de afirmar uma identidade própria. Compara, inclusive, as relações humanas com o comportamento dos ouriços, que no tempo frio se chegam uns aos outros para se aquecerem, mas que em seguida se afastam porque os espinhos dos outros os magoam. Quando o frio aperta voltam a chegar-se e em seguida voltam a afastar-se…. Numa análise diacrónica da realidade verificamos que este ciclo de aproximação - conflito - reaproximação tem tudo a ver com o que se passa nível das interações humanas - seja ao nível familiar, das empresas ou das nações. 

No entanto, quando refletimos sobre as consequências dos conflitos facilmente verificamos que, tanto na vida pessoal como na profissional, existe sempre a capacidade de gerir conflitos e transformá-los em oportunidades de desenvolvimento. Na prática perante qualquer tipo de conflito, o segredo do sucesso depende da estratégia que utilizarmos para o resolver. É em função da forma como é gerido que qualquer tipo de conflito se pode tornar altamente positivo ou altamente destrutivo. O processo português de descolonização é um exemplo de um conflito que, por não ter sido corretamente gerido, se tornou altamente destrutivo. Se tivesse havido um processo de diálogo entre as partes ter-se-iam evitados milhares de mortos e os prejuízos incalculáveis da descolonização do antigo Ultramar. A teimosia e agressividade de uma das partes inviabilizou qualquer solução e prolongou-se numa guerra que durou mais de uma dezena de anos. Se analisarmos a forma como Gandhi liderou o processo de independência da Índia e o clima de diálogo com que os ingleses corresponderam ao legítimo anseio de independência dos indianos, temos um exemplo de um conflito que sendo potencialmente destrutivo se saldou por uma solução positiva e vantajosa para as duas partes. 

No dia-a-dia, nos múltiplos conflitos que surgem na família, como na empresa, num contexto de conflitualidade induzido quer pela natureza humana quer pelas circunstâncias é sempre possível optar por soluções construtivas e não enveredar por soluções antagónicas em que todos perdem e ninguém ganha. Numa situação de conflito a opção pelo diálogo é sempre a mais rentável.

Amândio da Fonseca

Chairman e Fundador do Grupo EGOR

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