Embora as fronteiras geracionais ainda sejam difusas existe algum consenso de que as pessoas nascidas partir de 1995/96 fazem parte da geração Z. São os tweens and teens da era pós web que desde tenra idade desempenham um papel determinante numa vasta parafernália digital que inclui redes como o Facebook , Airbnb, What´s Up, YouTube , Snapchat, apps, Blogs e milhões de sites.

Com idades entre os 12 e os 23 anos representam já 30% da população mundial e um pouco mais de 5% da população portuguesa. Os marketeers chamam a atenção para o facto de, dentro de poucos anos, representarem mais de 33% dos consumidores em todo o mundo.

O acesso à informação global e a mobilidade das viagens low cost desenvolveram-lhes uma visão pragmática dos grandes problemas da atualidade. A geração mais informada de sempre tem consciência da importância das suas competências digitais e assume-se com poder para reivindicar e afirmar pontos de vista e crenças mais tolerantes do que as gerações anteriores.

Talvez por não terem tido uma infância fácil e terem crescido numa época marcada por guerras, conflitos, terrorismo, crises económicas e agravamento das ameaças climáticas os nativos desta geração tendem a privilegiar a moderação e o diálogo como estilo de afirmação. A par do ativismo na defesa da igualdade do género a TRUE GENERATION reivindica níveis mais exigentes de responsabilidade social, menos consumismo, maior empenho na defesa dos direitos humanos, respeito pelos animais e uma política de aceitação e respeito entre raças, credos e orientações sexuais com base numa visão focada na recusa da confrontação e na defesa do diálogo. A TRUE GENERATION caracteriza-se a si mesma como a "open minded" geração, globalmente tolerante que não receia expressar opiniões e se sente liberta para mudar e alterar pontos de vista à medida que for acedendo a novas realidades e conhecimentos.

Num estudo, que envolveu mais de 2500 jovens com idades entre os 12 e os 24 anos, efetuado recentemente pela McKinsey nas maiores cidades brasileiras, com o objetivo de analisar o impacto no consumo da nova geração e a forma como vão influenciar o futuro os sociólogos chegaram à conclusão que, talvez por não terem conhecido o mundo sem internet, os jovens desta geração não distinguem entre o offline e o online e que, por terem um cérebro que processa com maior rapidez milhões de sinapses, conseguem demonstrar maior abertura a novas realidades.

Amândio da Fonseca

Chairman e Fundador do Grupo EGOR

* in Caderno Expresso Economia, Agosto 2019

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