UMA PANDEMIA NUNCA VEM SÓ…

Abril de 2021

Amândio da Fonseca, Chairman e Fundador do Grupo EGOR | Caderno de Economia do Expresso

Agora que todos esperam que a guerra de trincheiras com o Covid esteja a evoluir para uma fase de guerrilha, o regresso da confiança faça renascer a economia e as empresas se ajustem a novos desafios da logística humana, é importante não enterrar a cabeça na areia e imaginar que o pior já passou.

A World Health Organization anunciou recentemente que cerca 400 milhões de pessoas sofrem, em todo o mundo, de problemas psiquiátricos de depressão, ansiedade e insónia. Embora os resultados estatísticos de muitos países ainda sejam desconhecidos, a experiência das crises sanitárias que antecederam a pandemia não deixam dúvidas de que já está a verificar-se, em todo o mundo, um aumento exponencial de casos de fobias, desordens comportamentais e sentimentos autopunitivos que dificultam a socialização com colegas e família e prejudicam o desempenho de atividades que exijam atenção e concentração.

É certo que a experiência do trabalho remoto se tornou uma solução que agrada, genericamente, a gregos e troianos: a possibilidade de trabalhar alguns dias em casa, constitui uma hipótese de figurino laboral que agrada sobretudo aos “colarinhos brancos “. No entanto e a par daqueles que esperam com impaciência a possibilidade de voltar ao local de trabalho, muitos outros temem, por motivos de insegurança emocional, riscos de contágio nos transportes ou no trabalho e apresentam sintomatologias psiquiátricas como a ansiedade, insónia, depressão, stresse pós-traumático ou outros distúrbios mentais.

Embora, nesta altura, a verdadeira dimensão das sequelas psiquiátricas da pandemia não seja ainda inteiramente conhecida, a mais elementar prudência recomenda que sejam, criadas condições e postas em prática medidas públicas e privadas que providenciem ajuda profissional, através de serviços médicos e o apoio de terapeutas, a um número crescente de pessoas incapazes de se adaptar a uma pandemia que se auto renova em vagas e estirpes todos os dias. É indispensável que a generalidade da população tenha acesso a programas de formação e divulgação que os habilitem a fazer a prevenção dos sintomas depressivos através de atividades diversificados. Dez minutos de meditação diária, yoga, ciclismo, caminhadas, hobbies, contato com a natureza, a par da dieta mediterrânica constituem meios preventivos, ao alcance de todas as idades.

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