Quem supera, vence

Junho de 2021

Maria João Sebastião, Diretora Executiva Trabalho Temporário Norte | Revista Human

Ultrapassado o ano de 2020, os desafios lançados para 2021 e para os que se avizinham, incitam-nos a repensar o modelo até então usado, pois entre o novo normal e o normal de antigamente certamente que será diferente. Entre dois confinamentos, vários estados de emergência, que já nem conseguimos contabilizar, e o choque de não entendermos o que realmente esta pandemia podia provocar a curto-prazo, o mundo continua a girar e a readaptar-se a todas as contrariedades que encontra.

As distâncias encurtaram-se com aplicações como o Teams ou o Zoom, que hoje todos usamos para acompanhar equipas, clientes e entrevistar candidatos. O home office veio para ficar, os cumprimentos com o cotovelo e a distância recomendada, desumanizam as relações sociais e, de alguma forma, distanciam as equipas. Os modelos de gestão tiveram de ser adaptados e reforçados no que respeita à confiança, interação e entrega de resultados, alinhando este último com o contexto económico e social em que nos encontramos.

A sociedade adaptou-se rapidamente, reagiu e anseia por voltar ao “normal de antigamente”. As empresas investiram em saúde e segurança e estão hoje mais bem preparadas para receberem de uma forma segura aqueles que anseiam por regressar ao mercado de trabalho.

Ainda que o regresso a conta gotas seja uma realidade, o mercado de trabalho está muito diferente. O contexto atual coloca-nos desafios diários, como o aumento do desemprego, que representa um aumento de quase 37% em relação a 2020, o que revela o número mais alto desde maio de 2017.

Contudo, esta situação agrava-se quando percebemos que existe ainda o receio de regressar ao mercado de trabalho e que a pandemia Covid-19 veio ampliar o fosso entre aqueles que possuem competências para uma nova realidade digital e os que não as possuem. 

Num momento que atravessamos de recuperação e resiliência, o plano apresentado pelo Governo português, espelha o que serão as tendências de emprego nos próximos anos, assim como as áreas de investimento.

Investimentos que primam por dotar a nossa força de trabalho, quer os que já se encontram no mercado, quer os jovens que no futuro farão parte dele, de competências que lhes permitam estar em linha com as tendências atuais e futuras. Conseguindo um melhor match entre as competências e ajustando às necessidades do mercado, permitirá usar os recursos humanos na sua plena capacidade.

O reskilling e upskilling da nossa força de trabalho, fortalecerá a inovação, competitividade e o crescimento da nossa economia, suportando a criação de novos empregos e combatendo a exclusão social. Garantirá também aos jovens e àqueles que já se encontram no mercado de trabalho, o ajustamento necessário às novas metodologias de trabalho, desempenhando novas tarefas e permitindo a adaptação às novas realidades funcionais emergentes da chamada transição verde e digital.

Segundo a world employment confederation, trabalhar no novo normal, exigirá um alinhamento mais concertado, não só entre o setor privado como entre o setor público e o governo.

Passará por promover e regulamentar novas formas de trabalhar (remotamente ou espaços partilhados), por tornar o mercado mais inclusivo; por abandonar modelos tradicionais e standard, otimizando e usufruindo da experiência acumulada de quem está no mercado de trabalho; por criar equidade no acesso a benefícios sociais que não estejam linkados diretamente a um trabalho ou contrato, mas sim a uma carreira; por encontrar mecanismos que não só otimizem e regulamentem o home office mas acima de tudo consigam medir de uma forma clara e justa, a produtividade associada ao mesmo e essencialmente por criar plataformas de trabalho que acomodem uma economia mais dinâmica e digital assim como um novo mundo de trabalho.

Resiliência e atitude positiva é a palavra de ordem! O setor do trabalho temporário passou tempos de muita turbulência em 2020, registando uma quebra de 16.7% na faturação ficando apenas pelos 1.2 mil milhões de euros, comparativamente com os 1.44 mil milhões registados em 2019. O decréscimo na faturação, consequência da pandemia de Covid-19, surge após um grande crescimento, ocorrido entre o ano de 2013 e 2019 que representou cerca de 60%.

A história ensina-nos que após momentos de crise vêm sempre momentos de recuperação, ainda que lentamente, os sinais já são visíveis no mercado. Todas as crises estão cheias de oportunidades, para os mais atentos que tentam antecipar novas necessidades ou tendências de mercado e sabem analisar os contextos, redesenhar a estratégia e operacionalizá-la.

Sairemos vencedores desta batalha que diariamente aprendemos a superar, reforçando os laços emocionais e sociais não só entre as nossa equipas, os nossos clientes e colaboradores, com os quais nos mantivemos conectados dia após dia.

 

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