FOOD & BURNOUT

Agosto de 2022

Amândio da Fonseca, Chairman e Fundador do Grupo EGOR | Artigo Expresso

Sabia que já estávamos na lista dos principais consumidores europeus de medicamentos antidepressivos, soníferos, calmantes e sedativos? No rasto da epidemia, dos níveis de stresse induzidos pela transformação tecnológica e a alteração dos hábitos de vida da maioria da população ativa, os problemas da saúde mental deixaram de poder ser ignorados. O burnout, o síndrome do esgotamento profissional, constitui, em todo mundo, uma das principais doenças civilizacionais. Shekar Saxema, ex-diretor da OMS e um dos líderes da política mundial da saúde, afirmou numa entrevista recente, que “quando se trata de saúde mental todos os países do mundo estão em fase de desenvolvimento”. Na generalidade, as estratégias de tratamento incidem mais sobre os sintomas do que nas causas. No entanto, muitos cientistas são de opinião de que a prevenção dos problemas de saúde mental só será efetiva com uma mudança dos estilos de vida nas sociedades desenvolvidas.

 Que pensaria você se, numa consulta para problemas de insónia, depressão ou ansiedade o psiquiatra o questionasse sobre os seus problemas intestinais?

Quando falamos de alimentação e saúde, tendemos a relacionar as dietas com a obesidade, acidentes vasculares, diabetes, cancro ou a longevidade, mas raramente as relacionamos com a saúde mental.

Uma Naidoo, é professora na Harvard Medical School e especialista em psiquiatria nutricional. Num livro recente “This is your brain on food” a autora defende, em sintonia com um número crescente de especialistas de vários setores, que a alimentação pode ter efeitos preventivos na saúde mental tão eficazes como os medicamentos prescritos pelos especialistas.

Na verdade, há muito que a ciência conhece que o sistema digestivo comunica com o cérebro através de substâncias químicas como a dopamina, a serotonina e a acetilcolina que são mediadoras químicas do bem-estar, da forma como nos sentimos e da saúde mental.

Num corpo saudável essas substâncias químicas, produzidas pelo microbioma intestinal, são transportadas pelo sistema nervoso para o cérebro. Trata-se de um mecanismo delicado que se altera por excesso ou carência dessas substâncias químicas que provocam mal-estar, perturbam a concentração, o sono, e enfraquecem o sistema imunitário ao lançar no cérebro substâncias precursoras da depressão, ansiedade e outras manifestações de mal-estar, que afetam o cérebro e modelam os comportamentos humanos.  

 

Amândio da Fonseca
Chairman da EGOR

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