Dezembro, 2015

O Executive Search continua, no imaginário de muitas pessoas, a ser a área dos recursos humanos mais carregada de mistério e secretismo.

Para esta imagem contribuiu, durante muito tempo, o fausto de algumas empresas multinacionais alimentadas por honorários milionários, instaladas em escritórios luxuosos e exibindo o carisma de uma profissão que se rodeava de uma aura de elitismo.

Nascido nos Estados Unidos, as instalações das grandes empresas mundiais situam-se, ainda hoje, nas principais avenidas e próximas dos centros de poder e de decisão.

A principal responsabilidade do profissional de Executive Search continua ser a de encontrar soluções, atuando o mais discretamente possível, porque mais do que em qualquer outra profissão o segredo é, também aqui, a alma do negócio.

Por não ser regulamentado, o Executive Search é particularmente propenso à invasão de arrivistas que se apoiam, sobretudo, nas amizades e nalgum conhecimento de mercados e das empresas de onde por vezes foram expelidos, por razões nem sempre claras. Ex políticos ou políticos em latência encontram também, por vezes, no setor um espaço de recuo.

Os verdadeiros profissionais utilizam métodos rigorosos de pesquisa, tem capacidade e competências para avaliar os executivos que recrutam e selecionam e são reconhecidos pelos clientes, como especialistas com profunda experiência do mundo dos negócios.

No exercício da função, os verdadeiros profissionais fazem uma análise profunda da filosofia e da cultura da empresa que os contratou, investigam as estratégias e os resultados do cliente, asseguram-se das verdadeiras motivações da contratação e rodeiam-se de todas as precauções para garantir não apenas um serviço de grande qualidade ao cliente mas, também, as maiores garantias aos candidatos a quem vão propor desafios que podem abrir os caminhos do sucesso de uma vida ou a derrocada de uma carreira, até então bem sucedida.

Na atualidade, o Executive Search distanciou-se muito da fase heróica e da saga de grandes pioneiros norte americanos de um setor, que emergiu nos anos cinquenta, nos anos dourados do pós guerra, no apogeu da economia americana mas que só começou a despertar interesse público, na Europa mediterrânica nos anos setenta.

Na Europa, a verdadeira epifania da profissão chega com a entrada de multinacionais norte americanas que, para evitar os custos da transferência das equipas de gestão, procuram gestores locais para as suas filiais, reservando para os expatriados, as áreas das finanças e do marketing. As grandes empresas locais preferiam recorrer a métodos baseados no conhecimento pessoal, no passa palavra e nos laços de família.

Nos nossos dias, a dimensão romântica de profissão alterou-se substancialmente, na medida em que a função detetivesca da pesquisa da pérola rara, se encontra muito facilitada pelas ferramentas técnicas da pesquisa, pelas redes especializadas de emprego e, sobretudo, por uma mudança profunda na mentalidade das gerações para quem o conceito de fidelidade que caracterizou as gerações baby boomer, foi destruído pelas políticas de lean management e os processos de reengenharia, que quebraram definitivamente os laços de fidelidade dos colaboradores.

Nos últimos dez anos, assistimos a mudanças profundas nos processos de trabalho e de pesquisa do talento. A falta de técnicos cada vez mais especializados, obrigou a que as metodologias com que antigamente se recrutavam os quadros de topo, se tenham alargado a níveis muito mais diversificados de funções. No entanto, a pesquisa dos gestores de topo continua ser o principal objetivo de uma indústria que luta por sobreviver num espaço cada mais rarefeito de um mundo sem fronteiras, onde os novos judeus errantes se deslocam em busca de carreiras internacionais, cada vez mais abrangentes.

Na generalidade, poucos resistem à tentação do Linkedin. A democratização da mobilidade retirou algum brilho à profissão mas, a caça dos talentos, continua ser um dos maiores prazeres dos profissionais do setor.

Amândio da Fonseca

CEO do Grupo EGOR

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